Riscar e aprender (Revista Nova Escola)

Riscar e aprender

Alternativa simples e barata para aproveitar espaços vazios, jogos com giz desenvolvem as habilidades corporais e o aprendizado de regras

Luiza Andrade

Ilustrações: Thais Beltrame
TOCA DO COELHO (à esq.) Dinâmicas, as trocas de toca privilegiam saltos,
corrida, freadas bruscas e a agilidade corporal. CARACOL(à dir.) Pulando em
direção ao centro do tabuleiro, os pequenos saltam e trabalham o equilíbrio.
Ilustrações: Thais Beltrame

Traçar linhas no chão e recolher um punhado de pedrinhas é o que basta para a preparação das brincadeiras com giz. Por terem normas versáteis, elas são adaptáveis aos dois estágios da Educação Infantil (leia as regras dos jogos na página seguinte). "Além de serem feitos em qualquer espaço - num pátio ou na própria sala, por exemplo -, esses jogos são ótimos para trabalhar o movimento no dia-a-dia", diz Fernanda Ferrari Arantes, psicóloga e professora de Educação Infantil da Escola Viva, em São Paulo. E não é preciso ficar restrito à tradicional amarelinha: as opções incluem caracol, toca do coelho e circuitos com diferentes graus de complexidade (veja as ilustrações).

Para os menores, de 2 e 3 anos, a vivência lúdica é o ponto forte - o importante, então, é deixar os pequenos se divertirem, oferecendo desafios adequados à faixa etária. "O controle motor ainda é restrito. Dá para brincar de caracol, por exemplo, porém sem exigir pulos em um pé só ou percursos muito longos", diz Ana Paula Yazbek, capacitadora de professores do Centro de Estudos da Escola da Vila, em São Paulo.

Na pré-escola, embora a ênfase no movimento siga dando o tom do trabalho, as regras também ganham destaque. Você já pode pedir o cumprimento de normas elaboradas, que necessitem de mais concentração e raciocínio. É importante, contudo, sempre considerar o nível da turma e ficar atento à diversidade. "Se o jogo ou as regras forem muito fáceis ou difíceis demais, o interesse da turma cairá. É preciso encontrar o equilíbrio e saber que algumas crianças não responderão de pronto a todas as regras", explica Marcelo Jabu, educador e autor dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Educação Física.

Ilustrações: Thais Beltrame

LABIRINTO (à esq.) Equilíbrio, corrida e giros aparecem neste pega-pega, em que só vale fugir pelas linhas
CIRCUITO (à dir.) Habilidades como freadas e cambalhotas surgem de acordo com o desafio dos obstáculos
No início, o professor é responsável pela explicação das normas e por riscar os jogos no
chão. Com o tempo, o ideal é que a garotada faça parte também dessas etapas. Auxilie
a turma a tomar conta desse processo, tendo o cuidado de não exigir dos menores
coisas que eles ainda não estão prontos para atingir. É provável, por exemplo, que no
começo eles façam quadrados desproporcionais. Se para brincar for fundamental que
as linhas estejam corretas, é melhor que ele próprio as desenhe e as crianças adicionem
apenas os números.

Terminadas as brincadeiras, o giz vai embora fácil, fácil com água, e o pátio ou a sala
logo ficam prontos para ser o cenário de novos jogos e descobertas.

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