A literatura e a Matemática

A Literatura pode apoiar a construção de noções matemáticas.
(Luciane Knüppe e Sandra Queiroz)

Antes mesmo de frequentarem a escola, as crianças já estão em contato direto com a matemática, seja numa brincadeira de faz-de-conta, quando brincam de fazer um bolo de areia, seja quando enchem um baldinho de água, simulando qualquer medida.
Na escola, isto também acontece, podendo gerar, então, um modo prazeroso de se trabalhar a matemática, sem que a criança se desgoste mais tarde com a disciplina.
Uma forma interessante de se propiciar o estudo da matemática na educação infantil pode ser desencadeada com atividades que envolvem o ler, o escrever, o falar e o ouvir, e esta forma está em conexão com a literatura infantil, por exemplo.
A literatura aparece à criança como um todo, uma fantasia muito próxima do real, uma manifestação do sentir e do saber, o que permite à ela inventar, renovar e discordar.
A leitura de livros infantis convida o pequeno leitor a participar, a emitir opiniões e, ainda, o encoraja a usar uma variedade de habilidades mentais, como classificação, seriação, levantamento de hipóteses e formulação e resolução de problemas.
Ao utilizarem livros infantis, os professores podem provocar reflexões relacionadas à matemática, através de questionamentos ao longo da leitura, ao mesmo tempo em que a criança se envolve com a história.
Para a criança da educação infantil, que está construindo conceito de número e relacionando quantidades à escrita numérica, a literatura pode vir acompanhada de jogos matemáticos e até mesmo de indagações do tipo:
- Quem chegou primeiro: o lobo ou a Chapeuzinho?
- Qual foi o porquinho a ter a última casa derrubada pelo sopro do lobo?
Perguntas dessa ordem ajudam a criança a formar o conceito numérico.
Outro tipo de trabalho envolvente é a própria culinária, pois a criança deve medir as quantidades necessárias. Essa atividade, por exemplo, pode ser realizada logo após uma história de Monteiro Lobato (Sítio do Pica-Pau Amarelo), na qual a personagem Tia Nastácia, é uma cozinheira de mão cheia. O professor pode aproveitar o tema e explorar com a criança as quantidades de ingredientes utilizados, a relação, a seriação (o que colocamos primeiro; e depois...)
Essa forma de trabalhar que oportuniza o estabelecimento de conexões deixa de lado a idéia de que sempre, após a contação de história, deve vir o desenho da parte que mais gostou ou, ainda, a de que é preciso preparar uma aula em que a criança medindo ou seriando objetos que não são do seu interesse e que, muitas vezes, não foram explorados em aula pelo professor.
A atividade de seriar as partes da história também é muito rica e agrada às crianças. Por exemplo, dá-se ao grupo três partes de uma história. As crianças deverão ordená-las de acordo com o seu conhecimento (início, meio, fim). Nessa atividade, novamente o professor poderá questionar a criança, visando ao conhecimento lógico-matemático:
- O que aconteceu primeiro?
- E depois?
- E por último, o que houve?
A seguir, apresentamos alguns jogos matemáticos que são produto da troca de experiências entre colegas professores e que podem ser integrados com a literatura infantil.

História: Galinha Choca (Mary França)
Materiais: personagens confeccionados pelas crianças; dado com os desenhos dos personagens; tabuleiros com desenho da paisagem onde se passou a história.
Procedimentos: O professor conta a história aos alunos. Após, são feitos alguns questionamentos como os sugeridos a seguir:
- Gostaram da história? Por quê?
- Quem havia colocado o ovo para a galinha chocar?
- Por quê não podia ter sido o coelho?
- Quantos animais que colocam ovos haviam na história?
A turma deverá ser dividida em equipes que ganharão cada uma um tabuleiro desenhado com a cena onde se passa a história. Cada equipe deverá jogar o dado, o qual indicará o personagem a ser comprado. Termina o jogo quando todos os personagens da história estiverem no tabuleiro. As regras do jogo deverão ser combinadas no início da atividade, para não haver desentendimentos no final. No decorrer do jogo, o professor deverá lançar algumas perguntas de inclusão, tais como:
- O Jonas comprou mais animais ou só bichinhos que pôem ovos?
- E na equipe, foram comprados mais galinhas ou outros animais?
No final é proposto um relatório, onde o aluno representará o mesmo tanto de animais que comprou, colando materiais de contagem como bolinhas de papel ou outros. O objetivo da atividade é a construção da relação termo a termo.

História: Sanduíche da Maricota (Avelino Guedes)
Materiais: ingredientes do sanduíche confeccionados pelas crianças; roleta com os ingredientes confeccionada pelo professor co bandeja de papelão, com os desenhos dos ingredientes.
Procedimentos: O professor conta a história aos alunos. Após fazer alguns comentários com a turma, propõe um jogo de compra, no qual cada criança deverá rodar a roleta que indicará qual o ingrediente a ser comprado. Termina o jogo assim que o sanduíche estiver montado na ordem apresentada na história.
O objetivo deste jogo é o trabalho com a seriação.
Obs: Além deste jogo, o professor pode propor à turma de alunos que cada um monte o seu sanduíche, com ingredientes trazidos por eles próprios.

História: Margarida Friorenta (Fernanda Lopes de Almeida)
Materiais: pétalas de flores recortadas pelas crianças, em 6 cores diferentes; miolos de papel amarelo; moedas recortadas pelas crianças; dados com quantidades 1 e 2; dado das cores (6 cores correspondentes às pétalas).
Procedimentos: Após contar a história Margarida Friorenta, o professor apresenta às crianças todos os materiais e vai questionando o que poderiam fazer com todos aqueles objetos. Em seguida, deixa que explorem os materiais, incentivando o desenvolvimento da linguagem oral, buscando identificar detalhes para verificar e observar a valorização de sentimentos, pois a Margarida tem frio de amor.
Inicia-se o jogo, distribuindo-se um miolo e um palito de picolé (que servirá de caule) para cada criança.
O professor explica que a flor será composta de cinco pétalas e, então, pede para que cada criança pegue cinco moedas, que servirão para comprar as pétalas no decorrer do jogo.
Na sua vez, cada criança joga o dado da cor e o da quantidade, trocando uma ou duas moedas por uma ou duas pétalas, conforme a indicação do dado da quantidade e na cor indicada pelo dado da cor, até ser o número suficiente de pétalas para formar a flor (5). Pode ocorrer repetição na cor das pétalas. A flor pode, também, ter uma pétala de cada cor.
Como culminância, pode ser feito um relatório onde o aluno irá colar seu material em uma folha, formando a Margarida Friorenta da história, indicando, ainda, em forma de legenda, a cor ou as cores das pétalas e a quantidade de moedas que o dado indicou para comprá-las.
Pode ser feito um questionamento final para o grupo:
- Quantas moedas tinham no início do jogo?
O objetivo é que a criança estabeleça a relação pétalas/número de moedas.

História: O grande rabanete (Tatiana Belinsky e Leninha Lacerda)
Materiais: desenho dos personagens da história; roleta feita com bandeja de papelão com os personagens desenhados; dado da quantidade.
Procedimentos: Após ouvirem a história, os alunos são formados em equipes, em rodinha. Cada equipe joga uma vez o dado da quantidade e gira a roleta dos personagens. Então pega do centro da rodas as peças (personagens) indicadas. Para dificultar, como variante, pode-se fazer personagens com cores e tamanhos diferentes e, então, acrescentar o dado das cores e o dado do tamanho.
Para o relatório, pode-se solicitar aos grupos que colem seus personagens, classificando-os por tamanho, cor e na ordem em que aparecem na história.
Além disso,pode-se pedir que, ao lado de cada personagem, representem o número de vezes que movimentamos a boca para falar o nome de cada personagem. Conforme o nível da turma, pode-se pedir que escrevam o nome dos personagens, no relatório.
Nessa atividade, trabalhamos com a classificação, a seriação e a quantificação.

História: As centopéias e seus sapatinhos (Milton Camargo)
Materiais: uma centopéia de cartolina para cada grupo; sapatos para cada centopéia, de cores e detalhes diferentes; dado da quantidade.
Procedimentos: Após o professor contar a história, divide a turma em equipes e cada uma recebe uma centopéia de cartolina. O professor propõe às equipes que organizem os sapatinhos no centro do grupo, combinando, também, as regras do jogo. Dada a partida, cada equipe, uma de cada vez, atira o dado e pega o número de sapatinhos indicado. A cada rodada, a equipe deverá pegar a quantidade indicada no dado, cuidando, porém, para pegar sapatinhos com detalhes diferentes.
A proposta desta atividade é trabalhar com as quantificação, a memorização e a classificação.

(Revista do Professor - jan/mar 1999)

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