Mordidas

Bem sabem as professoras da educação infantil, principalmente as do maternal que as mordidas nesta fase aparecem com freqüência, causando um enorme transtorno para a escola e para as famílias que ali freqüentam. Então, como lidar com este “obstáculo” nesta fase da criança? Será de alguém a culpa?
Não podemos desconsiderar que muitos adultos influenciam as crianças a morder, mas não é culpa de ninguém o fato dos pequenos morderem. Para Freud, todo indivíduo passa pela fase oral, onde todo universo da criança passa pela boca, lábios, língua, dentes e outros órgãos relacionados com a zona oral, enfim ela descobre o mundo através da boca.
A partir da vivência com crianças desta idade e observando as freqüentes mordidas percebemos que elas se enquadram em dois focos: a mordida como forma de prazer ou de desprazer.
Não podemos negar que é uma delícia dar uma bela mordida. Quem resiste a um bebe todo “torneadinho”? Por isso, muitas vezes adultos inconscientemente mordem seus pequenos como forma de carinho, de prazer, e a criança o entende como tal, reproduzindo este comportamento com seus coleguinhas e professoras.
O infante responde com mordidas manifestando nesta atitude sua agressividade, sua insatisfação, quando é contrariado ou até mesmo por impulso. Ele morde uma vez e vê que obtém por vezes seu objetivo, que ora pode ser um brinquedo, um colo, ora ter a atenção voltada para si.
Mas o principal, e o que não devemos nos esquecer, é que é através da boca que a criança esta conhecendo o mundo que a cerca: colocando objetos na boca, chupando seu dedão do pé, mordendo, entre outros, ou seja, a criança precisa ser orientada nesta hora, pois na maioria das vezes ela morde para testar.
Após os três anos de idade é muito difícil uma criança morder, pois agora ela já se utiliza da fala para se comunicar. Mesmo sabendo que esta é uma fase passageira, pais e educadores devem contribuir para que as mordidas não aconteçam, isso também serve para as avós e as tias “corujas”.
Tudo isso parece muito fácil, mas veja na prática o que podemos fazer:
• Nunca morda a criança mesmo que por carinho ou brincadeira;
• Observe se ela esta mordendo devido à vinda de um novo irmãozinho, para então conversar sobre o assunto, e mostrar-lhe que a ama muito;
• Ensine outras formas de expressar seus sentimentos;
• Não rotule a criança de mordedor, pois assim ele poderá virar um;
• Não comente com os outros na frente dele sobre esta atitude;
• Nunca faça o que ele pede só por que ameaça a morder, não seda a chantagens;
• Não de risadas quando a criança morder, nem que esta seja fraca e venha acompanhada de sorrisos e caras engraçadas;
• Mostre a criança que a mordida dói, converse com ela sobre isso – quando uma outra criança a morder a probabilidade é que ela aprenda este conceito mais rápid.
Uma única mordida pode ser apenas um processo normal da fase da criança, mas devemos ter atenção quando estas se tornam repetitivas. Vamos prestar atenção!
Enfim, bons exemplos, muita paciência, observação e respeito pela criança, ajudarão todos nós na missão de educá-los para que vivam num ambiente sadio e não se tornem adultos traumatizados.

Fonte:http://www.folhadoparanaonline.com.br

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